Metade dos estudantes entre 13 e 15 anos de idade em todo o mundo – cerca de 150 milhões – diz ter sofrido violência por parte de seus colegas dentro e no entorno da escola, segundo um novo relatório do UNICEF lançado nesta quinta-feira (06).
An Everyday Lesson: #ENDviolence in Schools (Uma lição diária: Pelo fim da violência nas escolas – disponível somente em inglês) afirma que a violência entre colegas – medida pelo número de meninas e meninos que sofreram intimidação no mês anterior à pesquisa ou se envolveram em briga corporal no ano anterior – ocupa um papel dominante na educação de jovens em todo o mundo. A violência tem impacto na aprendizagem e no bem-estar dos estudantes tanto nos países pobres quanto nos ricos.
“A educação é a chave para construir sociedades pacíficas e, no entanto, para milhões de crianças e adolescentes em todo o mundo, a própria escola não é segura”, disse a diretora executiva do UNICEF, Henrietta Fore. “Todos os dias, os estudantes enfrentam vários perigos, incluindo brigas, pressão para participar de gangues, bullying – presencialmente e on-line –, disciplina violenta, assédio sexual e violência armada. Em curto prazo, isso afeta seu aprendizado e, em longo prazo, pode levar à depressão, à ansiedade e até ao suicídio. A violência é uma lição inesquecível que nenhuma criança precisa aprender”.
Armas
O relatório observa que a violência envolvendo armas nas escolas, como facas e revólveres, continua a tirar vidas. Também afirma que, em um mundo cada vez mais digital, os agressores estão disseminando conteúdo violento, ofensivo e humilhante com o toque de uma tecla.
An Everyday Lesson: #ENDviolence in Schools é lançado como parte da campanha global do UNICEF #ENDviolence. Também faz parte de um esforço coletivo de diversas organizações – UNICEF, Dfid, Unesco, outros membros da Parceria Global pelo Fim da Violência contra Crianças e Ungei – para chamar a atenção e desencadear ações para pôr fim à violência dentro e no entorno das escolas.
Como parte da campanha, nos próximos meses, o UNICEF realiza, em todo o mundo, uma série de conversas com jovens sobre o fim da violência (#ENDviolence Youth Talks). A série de discussões lideradas por estudantes dará aos jovens uma plataforma para compartilhar suas experiências de violência e comunicar do que eles precisam para se sentir seguros dentro e no entorno da escola, e enviará um conjunto de recomendações aos líderes globais. Em julho, a embaixadora do UNICEF Lilly Singh lançou o primeiro Youth Talk na África do Sul com um grupo de estudantes de 13 a 19 anos.
O UNICEF está incentivando jovens de todo o mundo para que levantem sua voz para a pôr fim à violência dentro e no entorno das escolas e para nos dizer como estão trabalhando juntos e quais as soluções que estão usando para pôr fim à violência dentro e no entorno das escolas de uma vez por todas. Saiba mais emhttps://uni.cf/end-violence.
No Brasil
O relatório An Everyday Lesson: #ENDviolence in Schools não traz dados do Brasil, mas estudos realizados nacionalmente mostram que a violência dentro e no entorno das escolas também impacta meninas e meninos brasileiros.
Um desses estudos é a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense, 2015), do IBGE. Focada em alunos do 9º ano do ensino fundamental, a Pense mostra que 14,8% dos estudantes do 9º ano afirmam ter deixado de ir à escola, pelo menos um dia, nos 30 dias anteriores à pesquisa, por não se sentir seguros no caminho de casa para a escola ou da escola para casa.
Além disso, 7,4% dos estudantes entrevistados disseram ter sofrido bullying na maior parte do tempo ou sempre, nos 30 dias anteriores à pesquisa.

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